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ADVERTÊNCIA CONTRA AS
DROGAS
AS
LOUCAS
BALADAS
DOS
PAULISTINHAS
ENDINHEIRADOS
Ecstasy, cocaína, maconha, champanhe, sexo
grupal e muita arrogância. A reportagem da AOL
acompanhou uma balada da Geração $, formada por
filhos da alta sociedade paulistana
Por:
Rodrigo Brancatelli
A estudante Nicole, de 21 anos, estará daqui a
algumas horas desmaiada no quarto 231 do
Hospital Alvorada, na zona sul de São Paulo, com
a sua calça Gucci suja de vômito e com um
cateter na veia por meio do qual ela receberá
altas quantidades de glicose para rebater o
efeito do excesso de álcool. Nicole mal irá se
lembrar de, no espaço de horas, ter fumado dois
cigarros de maconha, tomado um ecstasy na forma
de coração e outro na forma das orelhas do
Mickey Mouse, bebido uma garrafa inteira de
champanhe Möet et Chandon e ter feito sexo com
dois garotos que nunca viu na vida.
"Comigo tem que ser assim mesmo. Tudo aos
extremos", diz a garota, filha de um conhecido
empresário do ramo têxtil. "Gosto de dar para um
monte de caras, de misturar Prozac com
champanhe, de cheirar cocaína até meu nariz
sangrar. E não me importo com a sua opinião
moralista típica da classe média. Tenho dinheiro
suficiente para não me preocupar com você ou com
mais ninguém. A minha felicidade está na minha
conta bancária", diz ela ao repórter enquanto se
prepara para a balada.
Nicole faz parte de uma geração
escancaradamente frívola e
preconceituosa, formada por filhos de gente
muito rica. É a "Geração $", como eles
gostam de se definir. Têm a vida inteira pela
frente e nenhuma preocupação com assuntos que
assombram outras pessoas, como falta de dinheiro
ou necessidade de escolha de uma profissão para
ganhar a vida. O que mais querem é curtir a
juventude com o que acham que têm direito,
incluindo drogas, sexo e uma boa dose de
sentimento superioridade. Não há limites para
eles. Escravos da estética, preocupam-se apenas
com a próxima balada ou com a próxima compra. E
a decisão mais importante que precisam tomar é
qual dos cartões de crédito usar na hora de
pagar a conta.
"Eu sou o tipo de pessoa que os pobres e a
classe média odeiam porque posso torrar R$ 5 mil
em um vestido para usar apenas uma vez e depois
encostá-lo no armário", diz Nicole ao repórter.
"Não consigo ficar assistindo tevê em casa ou
trabalhando em algum escritório estúpido na
frente de um computador. Estou acima disso tudo.
O dinheiro dos meus pais me possibilita curtir a
vida sem preocupações e sem falsos moralismos".
Enquanto fala da vida, Nicole manda o motorista
do seu Mercedes preto se apressar. O relógio
Armani no pulso, avaliado em R$ 2 mil, avisa que
já passa das 23h e todos seus amigos devem estar
esperando furiosos na frente
da Disco - conhecida como a balada mais
cara e restrita de São Paulo, no bairro de Vila
Olímpia, zona Sul da cidade. É sábado à noite, e
a noite de São Paulo nem imagina o que Nicole e
seus endinheirados colegas vão aprontar.
"Demorei porque a besta da empregada esqueceu de
passar a minha calça Gucci", brinca a garota com
os amigos ao descer do carro. "Definitivamente
não dá para confiar em pessoas de cabelo
pixaim." Fernanda, filha de um banqueiro que
mora no Rio de Janeiro e que mantém apartamento
em São Paulo para temporadas, ri
escandalosamente da observação da amiga Nicole.
Além de compartilhar da visão do mundo, as duas
são fisicamente parecidas. Morenas, baixinhas e
super produzidas. "Empregada é uma droga mesmo",
diz a carioca de 20 anos, vestindo um modelito
exclusivo assinado pelo estilista Alexandre
Herchcovitch. "Todas são ignorantes. É por isso
que elas têm de ganhar salário mínimo. É o valor
da suas mediocridades."
Fernanda está acompanhada de mais três meninas
que aparentam ter a mesma idade) e do is garotos
já mais velhos, de mais ou menos 25 anos. Todos
têm pais ilustres - duas são filhas de
empresários bem sucedidos, a outra é herdeira de
um fazendeiro do interior paulista, o garoto
loiro é filho de político. Apenas um deles é uma
incógnita. Seu nome é Carlos, e sua origem nunca
foi colocada em discussão pelos colegas. "Um dia
apareceu do nada em uma balada, dirigindo um
Porshe Boxter e com muitos ecstasys no bolso.
Não precisou explicar de onde vem para ser
incluído na turma" explica Nicole.
A fila na frente da Disco
quase dobra o quarteirão, mas uma nota R$ 50 na
mão do segurança é o suficiente para que Nicole
e seus amigos a furem. A entrada custa R$ 70
para homens e R$ 35 para mulheres, mas eles
desembolsam mais R$ 100 cada um para ter direito
a entrar no camarote. "Somos VIP's, merecemos
tratamento diferenciado", diz Fernanda, enquanto
abre uma garrafa de champanhe Möet et Chandon -
a primeira de sete que serão consumidas na
noitada, ao custo de R$ 120 cada.
No camarote, fica mais fácil para Carlos
disfarçar uma carreira de cocaína que prepara em
cima de uma mesinha de madeira. Os amigos
brincam que ele tem o nariz nervoso, não
consegue ficar um dia sequer longe do pó.
Fernanda percebe o gesto e corre para filar um
pouco da droga enquanto Nicole, do outro lado do
camarote, amassa a roupa cuidadosamente
escolhida com um rapaz mais velho que acabara de
encontrar. Dias depois, procurada pela
reportagem da AOL, a direção
da Disco diria que os clientes pegos com
drogas ilíticas no interior da casa são
colocados para fora.
Depois de duas horas e R$ 890 gastos em bebidas,
o grupo decide deixar a balada e procurar algum
outro lugar para terminar a noite. Ou melhor,
para começá-la de fato. "Vamos para a minha
casa, hoje não tem ninguém lá", sugere Fernanda.
"Podemos comprar umas bebidas, ligar para uns
amigos e fazer a festa lá mesmo. Com quantas
pessoas será que eu vou transar hoje?"
A idéia de Fernanda até que foi comportada para
os seus padrões. Da última vez que convidou os
amigos para ir até a sua casa no Jardim
Lusitânia - uma mansão na zona Sul de São Paulo
com três salas, sete quartos e duas cozinhas -,
ela pagou três prostitutas e dois garotos de
programa para animar a reunião. De outra vez,
fez uma vaquinha e comprou 100 gramas de
cocaína. Tudo foi consumido na mesma noite. Os
amigos da garota contam que ela, numa das
baladas que deu, fez sexo com três amigos de
infância na piscina, ao mesmo tempo, enquanto os
vizinhos viam e ouviam tudo.
São quase três horas da madrugada e as Pajeros,
Mercedes e BMW's começam a se enfileirar na
porta do número 482. Todos da turma são muito
parecidos - os garotos vestem camisa de algum
estilista famoso e caro, Herchcovitch, Sommer ou
Haten, e calça jeans igualmente exclusiva, mas
que pareça estar bem suja. Já as meninas só usam
preto, sempre de marca estrangeira, e não
desgrudam de suas bolsas Louis Vuitton
abarrotadas de ecstasys, maconha e,
eventualmente, camisinhas.
A festinha particular começa a esquentar com
uísque 12 anos misturado com energéticos. Fumaça
de charuto e música eletrônica tomam conta do
ambiente. Para deixar as meninas mais "soltinhas",
os garotos preparam um drink especial com vodca,
suco em pó light e comprimidos de ecstasy
picados em pedacinhos microscópicos. Quando elas
se derem conta, já estarão dançando coladinhas
sem as blusas e dando beijos calientes umas nas
outras para delírio dos
caras.
Para a maioria delas, não faz a menor diferença
saber se tomaram drogas misturadas à bebida
porque a intenção é ficar doidas mesmo. "Essas
garotas aí estão loucas para dar", aponta Thomás,
herdeiro de um médico famoso e amigo de longa
data de Fernanda. "A única coisa que elas têm
para fazer na vida é gastar o dinheiro da
família. As mais novas, aliás, são as mais
danadas. Eu, por exemplo, transei com muita
menininha filha de 'sei-lá-quem' dentro do meu
Civic ou em banheiros de baladas. Já 'tracei'
muitas Lolitas Pilles por aí.
Balada na
Disco em São Paulo
Thomás se refere à
escritora francesa de 19 anos, que chocou o
mundo ao descrever tudo o que se passa no
mundinho milionário de Paris no seu livro de
estréia, Hell. A tradução em português chegou às
livrarias do Brasil no final de 2003 e vem
ocupando lugar de destaque nas prateleiras das
livrarias. Nascida em berço de ouro e patricinha
assumida, Lolita Pille passou boa parte de sua
vida torrando o dinheiro dos pais nas lojas mais
caras da capital francesa, desrespeitando regras
de trânsito, enchendo a cara em hotéis de luxo e
dançando até de manhã nas boates da moda.
Quando se cansou da farra, a garota escreveu 224
páginas denunciando a sua geração da forma mais
crua possível. A galera endinheirada de Paris
não perdoou. Lolita Pille passou a ser barrada
nas baladas VIP's. "A
200 km/h pelas ruas de Paris, onde não é bom
caminhar quando estamos no volante, misturamos
álcool com cocaína e cocaína com ecstasy",
escreve. "Eu sou um produto da Think Pink
Generation. Minha crença: seja bela e consuma.
Sou a musa do deus 'Aparência', sob o altar do
qual eu queimo alegremente todo mês o
equivalente ao seu salário".
Os relatos de Lolita poderiam muito bem ter sido
escritos pela paulistana Nicole, pela amiga
Fernanda, ou por qualquer uma das meninas que
dançam e se beijam sem blusa na sala de estar da
casa do bairro paulista de Jardim Lusitânia.
"Entrei numa boate aos 14 anos e nunca mais
sai", confessa a escritora francesa em Hell,
numa de suas muitas tiradas infanto-niilistas.
"De qualquer maneira, o que fazemos é
vergonhoso. (...) E daí? É você quem paga a
conta? Enfim, por hora está bom para mim. Minha
única preocupação é o vestido que vou usar
hoje..."
O uso de drogas na mansão de Fernanda é tão
disseminado que até cinzas de cigarro chegam a
ser confundidas com cocaína - e cheiradas sem
que ninguém note a diferença. Num canto da sala,
três caras fumam maconha e dividem uma pedra de
ice (droga sintética, derivada da anfetamina,
que parece um cubo de gelo) sem se importar com
a presença de um estranho, o repórter da AOL.
Noutro, duas adolescentes que não aparentam ter
mais de 15 anos cheiram um vidro inteiro de
B-25, ou cloreto de metileno, mais conhecido
como cola de acrílico. E isso sem falar nas
cápsulas de efedrina, de efeito estimulante,
oferecidas como se fossem balas de goma.
Nicole, então, já usou e abusou de tudo nesta
festa. E mesmo assim ela ainda quer mais. Em uma
só tacada, engole dois comprimidos de ecstasy
que estavam jogados em cima da bancada da
cozinha - um rosa na forma de coração e outro
azul na forma das orelhas do personagem Mickey
Mouse. "Tô bem, tô bem, ainda tô sóbria",
balbucia, pouco antes de tropeçar em uma cadeira
e cair estatelada no chão.
Dois caras levantam
Nicole e carregam o seu corpo praticamente
inanimado para um dos quartos da casa. É o
quarto dos pais de Fernanda que a essa altura
está chorando copiosamente no banheiro, em uma
crise nervosa causada pela cocaína. Nicole
acorda e puxa os dois garotos desconhecidos para
a cama, tira as calças e começa a fazer sexo sem
se preocupar com os olhares curiosos dos que
estão olhando pela porta aberta.
O show não dura muito
tempo - minutos depois, Nicole levanta correndo
e tenta chegar até o banheiro. Em vão. Ela acaba
vomitando em cima de um dos garotos, no piso de
mármore. Vomita tanto que sai até bile.
"Sério que eu fiz tudo isso mesmo?", perguntaria
Nicole mais tarde, enquanto deixava o quarto 231
do Hospital Alvorada. O braço direito até doía
de tanta glicose que foi injetada na sua veia.
Com olheiras enormes, sua amiga Fernanda só
tinha forças para responder afirmativamente com
a cabeça. "Que saco! Eu sempre apago nos
melhores momentos. Mas tudo bem, semana que vem
tem mais. Fê, você tem certeza que não foi um
plantonistazinho de merda que me atendeu? Porque
esses residentes não sabem de nada, ganham uma
merreca... Não posso ser atendida por um imbecil
qualquer."
* Os nomes das
pessoas e de alguns locais citados na reportagem
foram trocados.
Fonte: AOL
- 18:53 de 19/03/2004
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SEJAM
ESPERTAS
|
E
S T A T Í S T I C A
M
U N D I A L |
 |
|
ATÉ
APARECER
A CURA
PARA A
AIDS,
NÃO
SE DESCUIDE,
PREVINA-SE |
|
PESSOAS
QUE
SE FORMAM
PREMATURAMENTE
-
DESTRUÍDAS
PELA
A AIDS |
|
Rock Hudson
U
1985 |
|
Claudia Magno U
1994 |
|
Henfil
U
1988 |
Renato Russo U
1996 |
|
Lauro Corona
U
1989 |
Herbert de Souza
- (Betinho) U
1997 |
|
Cazuza
U
1990 |
Sandra Bréa U
2000 |
|
Fred Mercury
U
1991 |
NÃO
SEJA
A PRÓXIMA
VÍTIMA,
PREVINA-SE |
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PRIMEIRO
DE DEZEMBRO
-
DIA
MUNDIAL
DA LUTA
CONTRA
A AIDS |
Pare
o
Cursor
na
Figura
SEJA
PRUDENTE,
CAUTELOSA(O)
E
PREVENIDA(O)
-
SE
CUIDA
QUERIDA(O)!!
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PARE
O MOUSE NA FIGURA
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