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CONTRADIÇÕES DE NOSSOS POVO
"O principal fruto que as
igrejas legalistas tem conseguido é magoar as ovelhas
e fazer crescer ainda mais o número
de desviados".
A juventude evangélica contemporânea, que
assiste na TV as ofertas inovadoras, o marketing das tentações e não se
cansa de novidades num ritmo acelerado, dificilmente se concentra com atenção
nos cultos repetitivos de algumas igrejas. A liturgia eclesiástica em sua essência,
quando não busca um excesso de espiritualidade sem coordenação, sem orientação
bíblica, só encontra regozijo quando vem um pregador de fora com testemunho
extravagante como do tipo "Já matei mais de mil...",
e fora esses espetáculos, a igreja volta se arrastando aos seus Domingos
eternos.
Que Deus esteja presente nos cultos,
não restam dúvidas. "Onde estiverem dois ou mais..."
Prova disso são almas que, pela infinita misericórdia, se convertem em
algumas reuniões. A questão em evidência não trata do fato de Deus estar
presente ou não, mas do que poderíamos oferecer de melhor para o nosso Deus.
A igreja não pode ver tudo pelo ângulo espiritual, visto que ainda estamos
no mundo. (Tiago 2:16). Cabe
a nós não deixar o peixe fugir da rede. Isso é responsabilidade da eklésia.
"O que ganha almas sábio é". (Provérbios
11:30).
A comunidade evangélica tem seu nítido
objetivo de ganhar as almas que estão perdidas no mundo para a igreja, mas,
em alguns casos, parece não haver muito incentivo para mantê-las na igreja.
No evangelismo pessoal ficamos perplexos ao entregarmos a maioria de nossos
folhetos nas mãos de pessoas que já foram cristãs. Cada um explica-se em mágoas
com líderes, mau entendidos, etc. Lá um ou outro desviou-se por nada, quando
há um, por demais, é raro. A maioria contesta a maneira como o pastor lhe
abordou, discussões por problemas externos, burocráticos, ou até mesmo
eclesiásticos. A igreja parece viver um momento de cada um por si e Deus por
todos! O amor, ingrediente indispensável em qualquer convivência, não
transmite mais o seu calor no meio de muitos evangélicos (cristãos?).
Vive-se muito em prol de si mesmo. As convenções e reuniões de portas
fechadas perderam o amor ágape, elo primordial da unidade cristã.
O irmão caído dificilmente é
procurado para uma ajuda, um conselho. É bem mais fácil "dedurá-lo"
ao pastor. Essas atitudes são tomadas por "santões", que reservam
em segredo seus pecados. Atitudes essas que jogam centenas de almas no mundo
diariamente. O povo de Deus parece ser o único exército que mata os seus
feridos. "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar
que uma cidade forte". (Provérbios
18:19)
A arcaica e pobre motivação da igreja
limita-se aos retiros e excursões, que são, em sua maioria, caros, e ficam
para os "filhinhos de papai" da igreja. Convivemos com uma maioria
de irmãos que são da classe média baixa da sociedade. O poder aquisitivo não
atende aos convites de passeio da igreja. Resultado: Quem tem dinheiro vai,
quem não tem, fica. Ou passa pela prova. A prova consiste em o pastor, à
frente da igreja lotada, pedir arrecadação para o irmão fulano "que
não pode pagar". Um pouco mais de ética, e ele poupava o
irmão desse vexame. Aliás, essas provas são incríveis: só acontecem na
vida dos menos favorecidos. As provas estão em qualquer problema. Numa
contestação parece ser mais fácil para o pastor se ver livre do caso
atribuindo ao irmão a tirania da provação, e que "depois isso
passa!" Nota: Nessa provação filhos de pastores não passam!!!.
Problemas que envolvem os poderosos chefões são caso para reuniões à
portas fechadas.
Deveria se prestar mais cuidado aos jovens,
incentivando, não só com palavras, mas com atitudes. Não somente com cobranças
de "doutrinas" de roupas, o que é obra do Espírito
Santo. E o mais interessante nessas doutrinas é que implica na salvação até
o pastor liberar. Por exemplo, até uns quarenta anos atrás, algumas igrejas
proibiam ter televisão; ouvir rádio; beber refrigerantes; mascar chiclete;
usar perfume; mulher não podia andar de bicicleta; mulher não podia ser
vista conversando com homem algum; o casal de namorado não podia andar de mãos
dadas! Calça jeans era sinal de fraqueza e a pessoa estava prestes a sair da
igreja. E além do paletó e a gravata, tinha que usar um chapéu! Agora
pergunto: Onde foram parar estas doutrinas? Não haviam sermões
veementes?! Hoje, nessas igrejas, os problemas são outros, menores, mas não
deixam de ser problemas. Ainda há preconceitos a outras denominações. Se
numa família de cristãos onde maioria pertence a uma igreja legalista, alguém
se converte numa outra denominação, há um certo desprezo, e o único elogio
e incentivo que recebe é: "Ao menos ele não está no
mundo...", como se a igreja legalista fosse a mais
poderosa!
"Se, pois, estais
mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda
de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não
proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os
preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência
de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo,
mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne."
(Colossenses 2: 20-23).
A palavra de Deus é clara. Mas parece que vivemos numa era obscurantismo
dentro do próprio segmento evangélico! A maioria desses líderes jogam um
fardo na ovelha. A bíblia nos adverte: "Fostes comprados por
bom preço, não vos façais servos dos homens". (1
Coríntios 7: 23). E há em toda bíblia
muitas exortações para não sermos levados por qualquer vento de doutrina.
O amor ao próximo é mais do que uma
obrigação da igreja, é a prova de que realmente se pertence a Deus. Não se
lê nada na bíblia que se identificaria os discípulos do Senhor Jesus pela
roupa, mas pelo amor ao próximo. "Nisto todos conhecerão
que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros".
(João 13:35). No
convívio interno de muitas igrejas, nem todos são considerados valiosos só
porque é "irmão". A aceitação social é concedida com bastante
cuidado, na certeza de menosprezar os que não atendam seus interesses. Nem
todos são considerados dignos, nem todos são aceitos. Pelo contrário,
reservam seus elogios e admiração para alguns poucos escolhidos que foram
abençoados com características que consideram de alto valor (leia-se
dinheiro). É um sistema perverso.
E ainda há os que, sem conhecimento
algum da bíblia, vociferam frases conhecidas, do tipo: "Não
toqueis nos meus ungidos...Cuidado irmãos, não vamos falar do pastor, é
pecado!" Claramente esses casos são o medo de se descobrir
o pecado de alguns homens de púlpito, e a frase amedronta até quem tem a
verdade para falar. Falar a verdade nunca foi pecado. Nem a bíblia escondeu o
pecado de Davi! Então a bíblia está escandalizando Davi?! Quando a bíblia
fala de "ungidos" refere-se à reis e príncipes da
antiga lei. Nada ali se refere à pastores! Caso contrário, Jeremias estaria
cometendo um pecado terrível ao afirmar: "Ai dos pastores
que dispersam as minhas ovelhas". (Jer.
23:1) Ali sim, está bem claro aos
pastores. Por que quase ninguém prega sobre isso na igreja? É a palavra de
Deus?? Ou não??? Ou as passagens do velho testamento só servem para falar do
dízimo? Ah, sim, o dízimo pode ser ao pé da letra...Não precisa de definições
do hebraico, nem que significa outra coisa não. É dízimo mesmo e acabou!
Depois de Atos 2, da
descida do Espírito Santo, todos nós nos tornamos ungidos de Deus. Não há
mais acepção de pessoas. "E vós tendes a unção do
santo". (1 João
2:20). É por isso que há um grande número
de desviados da igreja. Colocam o pastor na posição de ungido especial e
coisa e tal, e quando o escândalo estoura na mídia, cai no descrédito. Que
a igreja do Senhor Jesus tenha mais amor ao seu próximo.
(Quero salientar aos amados
leitores que o artigo acima não tende a generalizar a todos os irmãos, mas a
refletir no comportamento de alguns cristãos na sociedade).
Denis de Oliveira é
Pastor-Presidente das Assembléias de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.
Bacharel em Teologia
pelo IBVE
Missionário pela
World Missions Comunity, USA
Coordenador da AEERJ
- Associação dos Evangélicos do Estado do Rio de Janeiro
Texto: http://www.portaldosevangelicos.cjb.net
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